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O que vemos quando fechamos os olhos?

A indagação feita no início do texto curatorial de Barbara Bragato para a exposição "Quando fecho os olhos vejo mais perto"   

            "O que vemos quando fechamos os olhos? Quanto tempo conseguimos ficar de olhos fechados em meio aos sons, cheiros e ao vento que esbarra em nossa pele? Nesse intervalo, quais imagens chegam até nós? Essas questões nos convidam a entrar na exposição coletiva Quando fecho os olhos vejo mais perto, realizada por doze fotógrafos cegos participantes da Escola de Fotógrafos Cegos (E.F.C.), entre os meses de agosto de 2022 e abril de 2023. [...]                            - Bárbara Bragato  

       mais que uma pergunta é uma busca. Por ter tido a oportunidade de ter sido um dos professores desse lindo projeto, percebi que imagem está muito além do que se vê, mais do que a própria memória do que vivemos, a imagem é um ser.

Aqui coloco a imagem como um ser vivo, um ser pensativo e múltiplo por vários significados. Assim como temos um tempo de vida, a foto tem seu tempo, o click, assim como somos imergido em roupas, cortes de cabelo, tatuagem a imagem se veste de signos, ícones e índices. Mas ela vai para além disso, ela tem sua individualidade naquilo que não esta aparente, da história que não está apresentada, do objeto que se mostra em partes, da nuance entre as cores, daquilo que está desfocado, naquilo que não se mostra. A imagem está mais para aquilo que não se mostra do que para aquilo que se mostra, e isso só é possível ver de olhos fechados, vendo de perto o que a imagem diz na sua individualidade do que não se apresenta. 

O que não se vê da imagem é bem mais rico do que se apresenta, pois desse "mundo invisível do olhar" como diz Barbara, nos é apresentado algo mais real e humano. Uma ambiguidade do que se é. Um ser que no contemporâneo se apresenta como fragmento de algo em eterno movimento, um ser que tem camadas e gosta de brincar de se esconder. Como diz o Manoel, (fotógrafo do coletivo Escola de Fotógrafos Cegos e um dos fotógrafos da exposição) que brinca de esconde esconde com as imagens, ele diz: "Quando ela não se mostra é quando eu clico". Isso é a essência do mundo invisível do olhar, não é o sujeito que se atenta e procura a imagem, mas ela que se apresenta distraída.

📷 Manoel Peçanha.




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